GT Agroecologia REDSAN-CPLP

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Contributo de Leia Oliveira-Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)

Mensagem  Admin em Qua 29 Nov 2017 - 15:29

1.Que políticas públicas e estímulos económicos poderão ser implementados para fomentar uma transição participativa para um sistema agroecológico, a nível regional e nacional?
A “modernização” no campo brasileiro pelo agronegócio, que reforça a concentração fundiária no País, que impacta fortemente o meio ambiente (perda da biodiversidade, erosão e contaminação dos solos e da água), sociais e culturais (êxodo rural, concentração de terras e riquezas) que prejudica tanto o meio ambiente, como gera a insegurança alimentar.
Para se contrapor a esse modelo excludente defendido pelo agroenegócio, os movimento sociais a se organizaram fortemente e passaram a questionar os impactos causados pelo agronegócio.
Neste processo de disputa de modelo, visto que o Brasil é considerado um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Para contrapor, com a incidência de muita luta e união, os movimentos sociais conquistaram uma importante política pública para agroecologia, que foi o Decreto no 7.794, de 20 de agosto de 2012 - Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO).
Outras políticas públicas que tiveram o protagonismo do movimento agroecológico no Brasil para sua elaboração e controle social foram o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ambos com sobrepreço de 30% para os produtos agroecológicos ou orgânicos.
Com as mudanças políticas que vem acontecendo no País, se torna cada vez mais preocupante as perdas de direitos, bem como exclusão de políticas públicas tão importantes para a sociedade, à exemplo de políticas de agroecologia.


2. Que atores deverão ser envolvidos na criação e de políticas públicas de acesso, controle, proteção e conservação dos recursos naturais (floresta, água, sementes, terra) nos países-membro da CPLP?
Importante envolver os principais protagonistas desse processo , que são os agricultores e agricultoras familiares.

3. Em que medida iniciativas da sociedade civil já em curso nos países-membros da REDSAN-CPLP poderão subsidiar um processo de construção de capacidades sobre práticas de produção sustentáveis e agroecologia?
A agroecologia tem sido tema em vários espaços de debates na sociedade civil, a preocupação com a alimentação tem se tornado fundamental. Desta forma, podemos destacar a criação da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) que reúne organizações e experiências de agricultores e agricultoras familiares, comunidades tradicionais sobre o tema.

4. Em que espaços político-institucionais multi-atores poderiam tais políticas públicas de promoção da agroecologia ser discutidas e negociadas?
Vários espaços, como dito anteriormente são fomentadas as discussões acerca da promoção da agroecologia no Brasil.
A exemplo, no mês de setembro passado, foi realizado no Brasil o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, o X Congresso Brasileiro de Agroecologia e do V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno. Que reuniu aproximadamente 5.000 pessoas, de todas as regiões do Brasil e diversos países do mundo com grande representação da América Latina.

Para subsidiar o debate e a reflexão o Congresso foi organizado a partir dos seguintes temas geradores: Políticas Públicas e Conjuntura; Mulheres e Agroecologia; Juventudes e Agroecologia; Educação em Agroecologia; Construção do Conhecimento Agroecológico; Campesinato e Soberania Alimentar; Conservação e Manejo da Sociobiodiversidade e Direitos dos Agricultores e Povos e Comunidades Tradicionais; Agroecologia e resiliência socioecológica às mudanças climáticas e outros estresses; Manejo de Agroecossistemas e Agricultura Orgânica; Agrotóxicos e Organismos Geneticamente Modificados; Agroecologia e Agriculturas Urbana e Periurbana;
Um dos pontos marcante do congresso foi a mobilização e participação dos agricultores/agricultoras familiares que estiveram no congresso demonstrando que a agroecologia é uma ciência que foi iniciada dentro das bases sindicais.
Destaca- se ainda que este ano, no mês de março a CONTAG realizou seu 12º congresso - 12º CNTTR, e deliberou sobre a implementação dos modelos de produção sustentáveis no contexto da representação específica da Agricultura Familiar conjugados com a preservação e conservação ambiental.
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2º SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA: CHAMADA DE EXPERIÊNCIAS NA AGROECOLOGIA DE ESCALADA

Mensagem  Admin em Seg 13 Nov 2017 - 14:53

Olá,
boa tarde ,
partilho esta chamada à participação de iniciativas de agroecologia no 2º SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA organizado pela FAO:

Para mais informações consultar este link:

https://www.ifoam.bio/en/news/2017/11/06/2nd-international-symposium-agroecology-call-successful-experiences-scaling

Cumprimentos,

Sérgio Pedro
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Contributos de São Tomé e Príncipe

Mensagem  Klebernilson Lima em Ter 24 Out 2017 - 23:43



Que políticas públicas e estímulos económicos poderão ser implementados para fomentar uma transição participativa para um sistema agroecológico, a nível regional e nacional?

Fomento de parcerias público privado nos sectores conexos a agroecologia (agricultura, floresta, pecuária, pesca, turismo)
Diálogo e parcerias com as agências e parceiros tradicionais de cooperação e desenvolvimento- PNUD, FAO, UNICEF, GEF/PNUME, BM, BAD, UE
Intercâmbios
Instalação de centro de competência de referência a nível da CPLP, em matéria de agroecologia sobre a direcção dos Estados membros e da SC.
Adopção de uma resolução que engaja os Estados membros, tendo em conta a s convergências da agroecologia com os ODS
A nível nacional- Fomento de trabalhos com as direcções de agricultura, pecuária, serviços de pesquisa e não…. Para uma aposta no SAF no contexto agro-ecológico.
Possível subvenção aos produtores que optassem pela produção agro ecológico;
Montagem de programas de apoio a produçao agro ecológica, com uma vertente sensibilização para boa prática de cultivo;
Promoção de feiras unicamente com produtos bio e aproveitar os midias para divulgação.
Intervenção estratégica para o reforço do papel das associações de defesa de consumidores e das da defesa do ambiente.
Introdução de agroecologia no curriculum escolar

Que atores deverão ser envolvidos na criação e de políticas públicas de acesso, controle, proteção e conservação dos recursos naturais (floresta, água, sementes, terra) nos países-membro da CPLP?

Ministérios de Agricultura e serviços de pesquisa e desenvolvimento,
Ongs, sector privado, portanto as empresas de produção de transformação e comercialização, As cooperativas de produção, as associações de produtores, as Federações de camponeses, As confederações de Agricultores e por fim as Universidades e Instituições de ensino profissional como forma de trazer ao de cima a necessidade de se começar a fazer enraizar essas praticas de forma sistematizada.
Sobre iniciativas ja em curso quero acrescentar que se deve aproveitar e servir dentro outras de factos para se trocar experiencias e como comente integrar esses elementos em equipas multi sectoriais para esse efeito.

Em que medida iniciativas da sociedade civil já em curso nos países-membros da REDSAN-CPLP poderão subsidiar um processo de construção de capacidades sobre práticas de produção sustentáveis e agroecologia? 

Enquadramento nas equipes de trabalho do estado, Criação de núcleos, associação de agroecologia, a semelhança de Brasil
Em que espaços político-institucionais multi-atores poderiam tais políticas públicas de promoção da agroecologia ser discutidas e negociadas?
Consan/CONSEAS já existentes podem e devem ser espaço privilegiados.
Além deles, os fóruns para o efeito, Workshops, os Seminários devem constituir espaços propícios para se travar esse debate
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Expressões e racionalidades da Agroecologia em Portugal_uma aproximação de resposta às questões em debate

Mensagem  Sara Rocha em Ter 17 Out 2017 - 14:00

Olá a todos e todas,

Como já tive oportunidade de referir num dos nossos debates em videoconferência, e partindo da minha observação empírica,em Portugal já se fala sobre agroecologia, sobretudo, entre activistas ligados a causas ambientais e agricultores (particularmente os neorurais). As experiências de outros países são valorizadas e inspiradoras e servem de base para a experimentação, sobretudo, com enfoque na produção alimentar, mas há também actores que reconhecem a reflexão dos aspectos mais sociais e políticos da agroecologia.

Há ainda uma grande diversidade de conceitos que se misturam, tornando o próprio mapeamento de iniciativas um pouco difuso (há projectos que adoptam o chapéu da permacultura, da agricultura biodinâmica, da agricultura biológica, da agricultura familiar e local, entre outros conceitos). Existem já alguns exercícios de mapeamento de iniciativas (esta é uma delas: http://redeconvergir.net/iniciativas).

Anexo uma dissertação realizada há pouco tempo  por Aurora Soria, escrita em espanhol, sob o titulo "Aproximaciones a la agroecología en portugal de la pequeña agricultura familiar y tradicional a la agricultura ecológica, de los canales cortos de comercialización a la soberanía alimentaria: prácticas, racionalidades y resistencias". Aqui se podem já conhecer algumas das expressões da Agroecologia em Portugal e das racionalidades subjacentes às perspectivas dos diferentes actores. Desde agricultores cujas práticas tradicionais se localizam no campo agroecológico sem que o chamem de tal (e alguns que por motivo de sobrevivência da sua prática e da sua subsistência alteraram as suas prátics mais tradicionais para responder, por exemplo, às exigências da Política Agrícola Comum), até agricultores neo-rurais e iniciativas que assumem a agroecologia como ferramenta de transformação.

Assim, respondendo de forma ainda superficial, à 3ª questão colocada pela Maria Emília, a partir deste trabalho podemos já ver algumas pistas sobre os contributos das inciativas da sociedade civil para construção de capacidades sobre práticas de produção sustentáveis e agroecologia, desde logo, reconhecendo que existe uma diversidade de necessidades, de modos de ver e de fazer as práticas, o que implica ter em atenção a construção de um diálogo capaz de atender e integrar esta diversidade.

Até ao debate de amanhã!
Anexos
Aurora_Aproximaciones a la Agroecología en Portugal_TFM_2016.pdf (6.3 Mb) Baixado 5 vez(es)

Sara Rocha

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Construção de capacidades sobre agroecoogia na CPLP

Mensagem  Maria Emília Pacheco em Qui 28 Set 2017 - 20:49

Caríssimos (as),

Concordo com a sugestão da Joana sobre a necessidade de criar um espaço virtual para o GT Agroecologia, bem como uma biblioteca virtual, como também sugere João Amilcar.

A definição do teor da proposta do Centro de Referencia que envolva a participação das organizações dos agricultores, bem como a constituição de uma Rede, requer como primeiro passo uma resposta dos representantes do MSC-Consan-CPLP dos vários países às perguntas que mobilizaram o debate virtual.

Nessas respostas poderemos saber sobre as iniciativas de redes e articulações das organizações sociais, etc. Por isso relembro as perguntas e faço um apelo aos companheiros e companheiras de outros países que respondam:
• Que políticas públicas e estímulos económicos poderão ser implementados para fomentar uma transição participativa para um sistema agroecológico, a nível regional e nacional?
• Que atores deverão ser envolvidos na criação e de políticas públicas de acesso, controle, proteção e conservação dos recursos naturais (floresta, água, sementes, terra) nos países-membro da CPLP?
• Em que medida iniciativas da sociedade civil já em curso nos países-membros da REDSAN-CPLP poderão subsidiar um processo de construção de capacidades sobre práticas de produção sustentáveis e agroecologia?
• Em que espaços político-institucionais multi-atores poderiam tais políticas públicas de promoção da agroecologia ser discutidas e negociadas?

Precisamos reconhecer que há sistemas agrícolas tradicionais dos camponeses que precisam de salvaguardas, pois já aplicam historicamente princípios da agroeologia. Por isso o debate sobre as candidaturas do GIHAS/SIPAM deve ser articulado à proposta do Centro de Referencia. Concordo integralmente com a Joana sobre a necessidade tanto de processos participativos com os agricultores familiares na elaboração de plano de ação, assim como entendo que só podemos considerar como sistemas tradicionais aqueles que se baseiam em princípios ecológicos (da agroecologia ou da produção biológica, como me parece que chamam em alguns países africanos) e que também que reconheçam o papel das mulheres.

Com a agroecologia de fato não se constrói entre 4 paredes, como diz, João, sugiro que comecemos a pensar a proposta de um intercambio, ou seja, de visita a experiencias concretas, e posteriormente refletir sobre as concepções e práticas que expressam os caminhos das experiencias. No Brasil temos valorizado muito os intercambios como verdadeiras escolas de troca de saberes e de experimentação.

Obrigada pela atenção. Seguimos em contato, Maria Emília



Anexos
2017 set. edital BNDES GHIAS.doc Segue o Edital do BNDES-Brasil sobre premiação sistemas agrícilas tradicionais(348 Kb) Baixado 1 vez(es)

Maria Emília Pacheco

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construção de capacidades sobre agroecologia na CPLP

Mensagem  Joana Rocha Dias em Qua 27 Set 2017 - 11:21

Caros colegas,
ainda sobre o congresso de agroecologia, sobre o qual Maria Emilia e Joao Amilcar reflectiram anteriormente.

ambos levantaram a questao da necessaria e urgente formacao e informacao nos paises da CPLP.

concretamente, no caso do GT Agroecologia da REDSAN-CPLP, penso que deveremos dar passos concretos no sentido de criacao de espaço virtual para o GT (talvez dentro do website da REDSAN-CPLP) com uma biblioteca virtual.

penso que é fundamental apoiar a possibilidade de centro de competencias sobre agroecologia na CPLP, aprovado pelo CONSAN-CPLP, e o qual o governo Saotomense já se comprometeu em hospedar em Sao Tome.

[b]Pensar a estratégia deste centro regional sobre agroecologia é central, na medida em que poderá ser um mecanismo muito importante na construção / consolidação de capacidades[/b], na formacao de formadores sobre agroecologia que possam replicar ações de sensibilização / formação nos respectivos paises.

Como Maria Emilia bem referiu, os governos democráticos populares tiveram um papel central no Brasil na formacao de centenas de núcleos de agroecologia, nas universidades e institutos técnicos criados nesse período! Mapear estas iniciativas em curso e o trabalho e resultados ja conquistados por estes núcleos é central.

[b]O dialogo entre saberes (entre saber académico e saberes populares) é fulcral e deverá estar no amago de nosso futuro centro de competencias regional sobre agroecologia! [/b]Como Maria Emilia sublinha, “Isso significa uma revisão profunda de paradigmas da concepção de educação e pesquisa”. é um esforço hercúleo, que o GT de agroecologia da REDSAN-CPLP deve abraçar e eventualmente propor dialogo com Mecanismo das Universidades do CONSAN-CPLP, no sentido de reforçar esta "Ecologia de Saberes", como Boaventura Sousa Santos propoe.

Como Joao Amilcar bem referiu, a construção de capacidades sobre agroecologia não pode ser pensada unicamente destro de 4 paredes, é central que se pensem alternativas de metodologias de ensino em alternância, a exemplo de iniciativas ja em curso pelo mundo fora. Mapear iniciativas ja em curso poderiam ajudar-nos a pensar enquanto GT de agroecologia da REDSAN-CPLP o que propormos como estrategia para este centro de competencias regional sobre agroecologia!


Que vos parece??

abc, jo

Joana Rocha Dias

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SIPAM / GIAHS na CPLP

Mensagem  Joana Rocha Dias em Qua 27 Set 2017 - 11:01

Caros colegas,
nosso forum ontem decorreu com inúmeras dificuldades técnicas. Penso que devemos explorar outras alternativas para os forae sincrónicos... não consegui ficar até final da reuniao, mas estou segura que partilharão um informe sobre os principais elementos discutidos.

sobre o GIAHS / SIPAM (sistemas importantes patrimonio agricola mundial), tal como exposto ontem no Forum, salientaria alguns elementos decorrentes da participacao do MSC-CONSAN na formação que decorrer na China, nos passados dias 11 a 24 de setembro (4th High Level Training and Experience Sharing on Globally Important Agricultural Heritage Systems), organizado pela FAO (Secretariado do GIAHS) e pelo Ministério da Agricultura - China.

Como sabem, uma iniciativa regional GIAHS foi aprovada e incluída no plano de ação do CONSAN-CPLP, em junho passado, em Brasilia, e a coordenação de tal iniciativa foi atribuída ao MSC-CONSAN. Neste contexto, o Secretariado do MSC-CONSAN foi convidado a participar desta ação.

Estiveram presentes cerca de 25 países.
Neste momento, estão já reconhecidos 38 sites SIPAM em 17 diferentes países. Nenhum em países da CPLP.
Há 12 propostas em análise, também nenhuma de países da CPLP.
Sabemos informalmente que Portugal acaba de submeter também uma proposta (região do Barroso, no Norte do país) e Brasil tem envidado esforços no sentido de identificar potenciais sites SIPAM (como Maria Emilia levantou ontem, EMBRAPA tem seguido esse processo de perto, e aguardam-se definições sobre como ultrapassar dificuldades políticas de envolvimento dos diferentes Ministerios; Na sequencia da aprovacao da iniciativa regional no CONSAN-CPLP, parece-me essencial que o MSC-CONSAN possa seguir de perto este processo no Brasil, atraves do fortalecimento do envolvimento do FBSSAN, o que já vem acontecendo; correcto, Maria Emilia? avise-nos se podemos / devemos apoiar em algo! Quando tiver oportunidade, por favor, envie-nos também edital do BNDES que mencionou no Forum ontem.

outros países estão já a identificar potenciais sites SIPAM, como é o caso de Sao Tome e Principe e Cabo Verde (onde os Ministerios correspondentes já indicaram seu interesse em iniciar este processo, em cooperação estreita com organizações nacionais ligadas ao MSC-CONSAN) e também Angola (onde ADRA / GT SAN em Angola acompanhará o processo) . Assim, ADAPPA (membro da RESCSAN-STP) estará a desenvolver esforços nesse sentido e esperamos que Amigos da Natureza (membro da PONGS-Cabo Verde) também.

Estamos em diálogo permanente com ADAPPA no sentido de construir um plano de desenvolvimento socioambiental que possa constituir a base para eventual candidatura a SIPAM e esperamos promover encontro nacional de discussão ainda este ano, em Sao Tome.

Destacaria dois elementos que me parece o GT de Agroecologia da REDSAN-CPLP deveria reflectir e se for esse o caso defender:

1) que eventual reconhecimento SIPAM em paises da CPLP esteja intrinsecamente ligado à promoção da agricultura familiar, concedendo aos agricultores familiares primazia neste processo (quer na formulação quer na implementação de plano de ação de eventual SIPAM);
2) que eventual reconhecimento SIPAM em paises da CPLP seja necessariamente reflexo de um sistema agrícola agroecológico ou pelo menos de transição para um sistema agroecologico.

Que vos parece?

Forte abraço a todos, jo

Joana Rocha Dias

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Pergunta da Nádia

Mensagem  Iris Dias em Ter 26 Set 2017 - 18:31

Boa tarde,

A Nádia deixou essa pergunta no grupo do Skype. Não sei se viram:
"Alguém sabe mais informações quanto ao evento que o Ernest (Bahia - agroflorestal) dia 04/10 em Portugal?!"
Também perguntou se quem está em Portugal vai participar.

Um abraço,

Iris Dias

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refleções sobre a participação

Mensagem  joao amilcar torres em Ter 26 Set 2017 - 16:29

A minha opinião sobre a construção de uma rede de competência regional sobre agroecologia nos países da CPLP é a seguinte:

É necessário e urgente colmatar as necessidades de formação/capacitação/treinamento por parte dos países palop, timor. Brasil vai muito à frente ( como toda a AL). Como pais irmão, contamos com a sua ajuda nessa capacitação.
como suma da minha participação no congresso agroecologia brasilia, proponho para a criação da REDE, um programa de comunicação ( para dentro e para fora da REDE) e constituído por matérias físicos e ajuda web. Ou seja, uma plataforma online ( para troca de experiencias), um site ( que vai constar dentro de Redsan), minibiblioteca ( física) e UM PROGRAMA DE RADIO REGIONAL. Depois a minha maior preocupação e que é a Formação/ Capacitação. A Rede terá membros , estes terão Núcleos (3, 4, ou mais elementos). Com esta construção de núcleos regionais far-se-á uma socialização de conhecimentos. A formação em agroecologia (que não deve ser exclusivamente entre 4 paredes) será adquirida com a experimentação, com as práticas sustentáveis, com a transmissão de conceitos, funcionado assim como ciência e uma interação com os movimentos sociais junto das comunidades rurais. Com os núcleos formados ( que constituem a rede), proponho também a constituição em cada pais, um Centro de Valorização em Agroeceologia, AgroBiodiversidade e Sustentabilidade (o nome é comprido, mas é para ser diversificado e encaixar tudo o que se pretende fazer!)...Por último, um evento ( a realizar periodicamente) e que é a Troca de Sementes ( a realizar em cada núcleo).



joao amilcar torres

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Carta Política do Cerrado - ABA - Agroecologia - *** Disponível para download***

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:42

Enviada pela Maria Emília
Anexos
2017 set. Carta-Politica-do-Cerrado-ABA-agroecologia.pdf (94 Kb) Baixado 1 vez(es)
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Por Maria Emília em 25 Set 2017

Mensagem  Admin em Seg 25 Set 2017 - 12:36

Conforme expliquei no debate virtual do Gt Agroecologia, o Congresso de Agroecologia, em Brasilia, foi um marco importante na história da agroecologia no Brasil. Foi uma demonstração viva da capacidade de resistencia dos movimentos campones, apoiados por inúmeras organizações da sociedade civil que são parte da Associação Brasileira de Agroecologia(ABA), e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Sob lema “Agroecologia na Transformação dos Sistemas Agroalimentares na América Latina: Memórias, Saberes e Caminhos para o Bem
Viver”, o Congresso foi organizado pela ABA em parceria com a SOCLA ( Sociedade Científica Latino Americana de Agroecologia) . Reuniu aproximadamente 5 mil participantes.

Foram 13 temas geradores dos debates, que se realizaram sob vários formatos: painel, mesas redondas, plenária, oficinas e rodas de conversa:

- Políticas públicas e conjuntura;

- Mulheres e Agroecologia;

- Juventudes e Agroecologia;

- Educação em Agroecologia;

- Construção do conhecimento agroecológico;

- Campesinato e soberania alimentar;

- Conservação e manejo da sociodibodiversidade e direitos dos agricultores e povos e comunidades tradicionais;

- Agroecologia e resiliencia agroecológica às mudanças climáticas e outros estresses;

- Manejo de agroecossistemas e a agricultura orgânica;

- Agrotóxicos e organismos genecitamente modificados;

- Agroecologia e agricultura urbana e periurbana;

- Estratégias econômicas em diálogo com a Agroecologia;

- Memórias e história da Agroecologia

Ficaram evidentes os resultados dos programas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ( CNPQ) no período dos governos democráticos populares. São centenas de núcleos de agroecologia, hoje, nas universidades e institutos técnicos criados nesse período. O Congresso reafirmou a concepção do diálogo de saberes, entre o saber acadêmico e o saber popular. Isso significa uma revisão profunda de paradigmas da concepção de educação e pesquisa.

Os núcleos de agroecologia e estudos sobre os sistemas da agricultura tradicional e sociobiodiversidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), embora minoritários, também estiveram presentes afirmando seu compromisso com a soberania alimentar e o papel do campesinato e comunidades tradicionais. Carlos Tavares, ADAPPA / RESCSAN-STP - REDSAN-CPL e Joao Amilcar Correia Torres, ACTUAR / REALIMENTAR - REDSAN-CPLP, que participaram do Congresso, tiveram a oportunidade de estabelecer contatos com pesquisadores da Embrapa, e ouviram, por exemplo. sobre o trabalho do núcleo da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde é feito um interessante trabalho com os camponeses no centro de experimentação e desenvolvimento de atividades de formação de caráter participativo.

Sendo o Brasil o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, este foi um debate fundamental em vários espaços do Congresso, de contestação à crescente liberação dos agrotóxicos e transgênicos. Com a presença de lideranças da Campanha pela Vida contra os Agrotóxicos, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, dos Ministério Público que lidera a campanha contra os impactos dos agrotóxicos foram reafirmadas denuncias sobre seus impactos e a demonstração das experiencias agroecológicas, que comprovam ser possível produzir alimentos com mais harmonia com a natureza.

O almoço agroeológico, preparado pela Rede de organizações camponesas do Bioma Cerrado, foi um ponto alto do Congresso, assim como a feira dos produtos da agricultura familiar e a feira de troca de sementes.

Mostrando a sua liderança nos processos de luta e resistencia no país, as mulheres propuseram a reflexão sobre a consigna "sem feminismo não há agroecologia", reafirmando a dimensão social e política da agroecologia sobre a igualdade de gêneros. A participação dos jovens foi também muito expressiva.

Durante o Congresso foi lançado O Prêmio BNDES "Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais" (Prêmio BNDES SAT.) Além do prêmio em dinheiro, os vencedores receberão capacitação da Embrapa e orientação para, caso desejem, candidatarem-se a receber o título de Sistema Agrícola Tradicional Globalmente Importante (Globally Important Agricultural Heritage Systems, GIAHS). Mas o avanço das negociações entre a Embrapa e órgãos do governo para o Brasil se apresentar com experiencias no GIAHS ainda está em lentas negociações.

A Carta Política anexada traz uma síntese dos debates e demandas em relação aos vários temas tratados.

Sugiro, se possível, que coloquem esse breve informe meu, bem como a Carta Política do Congresso no endereço dos debates virtuais do GT Agroecologia da CPLP.

Coloco-me ao inteiro dispor para novos esclarecimentos,

Atencisoamente, Maria Emília.
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Por Lívio Lima em 20 Set 2017

Mensagem  Admin em Seg 25 Set 2017 - 12:29

---> Quais devem ser as ações prioritárias para construção do Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?

Resposta: Uma ação prioritária deveria ser a organização de um banco de talentos e recursos locais em cada país membro.
A instituição de um prêmio para experiências exitosas.


---> Em uma possível ação de formação intensiva em Agroecologia, objetivando capacitar Agentes Multiplicadores para cada estado-membro da REDSAN-CPLP, quais as temáticas-chaves que devemos abordar? Quais os atores devem ser capacitados prioritariamente?

Resposta: Alguns Temas:
1 – Mudança de paradigma;
2 – A teoria Sistêmica ou da Complexidade;
3 – Economia Solidária ou Social;
4 – Benefícios da Agroecologia, para o meio ambiente e economia familiar.


---> Como estimular a participação dos agricultores familiares neste processo criação de um Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?

Resposta: Apresentando os benefícios, a curto, médio e longo prazo, do Centro de Competências.


---> Qual a importância de construirmos um Banco de Sementes Tradicionais dentro do Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?

Resposta: Garantia de soberania nacional e segurança alimentar e nutricional.
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Por Klebernilson Lima em 12 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:27

Sem problemas companheiros João Amilca e Carlos, desejo um excelente dia de congresso para vocês.

Para quem desejar, segue aqui o link para a transmissão ao vivo da cerimônia de abertura do Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Agroecologia 2017.

https://www.facebook.com/agroecologiadf/videos/852096721622710/

*alguns eventos serão transmitidos online pelo facebook da Associação Brasileira de Agroecologia, segue link:

https://www.facebook.com/AssociacaoBrasileiraDeAgroecologia/
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Por João Amilcar em 11 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:26

Congresso Brasília

Pretendia-se iniciar este debate hoje. Acontece que JA e Carlos , acabaram de fazer a acreditação ao Congresso à uma hora atras. Portanto, não podemos colaborar positivamente.
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Por Terra Segura em 21 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:12

[b]Saúde global terrestre
[/b]
Sabendo-se que a produção agrícola intensiva determina a maximização da rentabilidade económica da produção e sabendo-se da instalação do conceito capitalista na própria produção, conducente ao crescimento económico contínuo, como forma de alimentar os compromissos de financiamento dos agricultores industrializados, como impedir a introdução dos agro-químicos, entidades de síntese, potencialmente perigosas para a saúde humana e para a saúde dos ecossistemas?
Como fazermos tomar consciência que a agricultura intensiva está a introduzir metabolitos altamente perniciosos para a saúde humana e dos ecossistemas, que acaba por sobrecarregar os orçamentos públicos e familiares, via encargos crescentes do sistema nacional de saúde?
Isto é, para que investimos na receita de um lado, o produtor agrícola, se isso significa prejuízos para todos?
Qual o valor da produção agro-industrial, que apenas serve, no imediato curto prazo, a ganância dos exploradores agrícolas?
Terão eles consciência que estão a contribuir para o agravamento dos orçamentos públicos, para o agravamento da saúde deles e dos outros seres vivos e para a morte da sua "galinha"?
Para que é que os decisores políticos financiam e dão incentivos, vindos do orçamento público, a uma actividade que provoca todos estes problemas? Terão os políticos conhecimento desta cadeia de efeitos, de modo que antes de tomarem certas decisões saibam submeter as opções a um estudo de impactos?
Em toda a acção política sabemos que seria melhor ter mais prudência na escolha das opções, para não cairmos na tentação fácil, promovida pela ganância usual do sistema capitalista, derivado do primitivismo competitivo das espécies, ocupadas com a mera sobrevivência!
Ora, o factor determinismo da nossa tecnologia civilizacional não permite, já, sermos mais evoluídos que um verme?!
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Por Klebernilson Lima em 14 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:11

Olá companheiro João Amilcar;

Concordo plenamente consigo. Devemos de fato pensar a agroecologia como engrenagem propulsora e transformadora para as gerações vindouras. Penso que devemos em conjunto pensar ações de formação e extensão rural para promover esse processo de transição para uma agricultura de bases agroecológicas. Neste sentido, é primordial pensarmos quais as políticas publicas no âmbito da REDSAN-CPLP podem vir a ser implementadas para subsidiar essa transição. O que o companheiro acha? Como podemos sistematizar e articular parcerias para implementar esses processos nos países-membros da REDSAN-CPLP?

Importante lembrar que a tua sugestão vai de encontro as recomendações da "Declaração II Fórum da Agricultura Familiar e da Segurança Alimentar e Nutricional na CPLP- FAFSAN II ( www.cidac.pt/files/8114/7766/0925/conferenciaimprensafafsan_ii.pdf )

Paz e Luz!

Klebernilson Lima
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Por João Amilcar em 13 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:10

A agroecologia como prática emancipadora, deve capacitar o individuo para a sua transformação como agente transformador do futuro. Não há agroecologia sem educação de campo, sem extensão rural e sem dar continuidade na preservação da tradicionalidade. Iniciativas no campo e não entre 4 paredes, tendo em conta que haverá sempre um ecossistema, um trabalho e uma cultura, será por ventura as iniciativas que devem ser prioritárias.
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Por Lívio Lima em 20 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:09

Ótimo!
Não conhecia o Decreto nº 7.794 de 20 de agosto de 2012. Agroecologia e SAN são interdependentes.
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Klebernilson Lima

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Por Maria Emília em 18 Set 2017

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:08

Que políticas públicas e estímulos econômicos poderão ser implementados para fomentar uma transição participativa para um sistema agroecológico, a nível regional e nacional?

Adotar o princípio do Direito Humano à Alimentação Adequada nos marcos institucionais constitui-se em importante passo para que as propostas de políticas tenham o caráter de políticas de estado.

No Brasil, a Lei de Segurança Alimentar e Nutricional -Lei 11.346 de 15 de setembro de 2006, (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11346.htm), que abrange as dimensões ambientais, culturais, econômicas, regionais e sociais, inclui a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos.

Sua regulamentação pelo Decreto nº 7.272 de 25 de agosto de 2010, incorporou entre suas diretrizes que tratam da produção ao consumo, “a promoção do abastecimento e estruturação de sistemas sustentáveis e descentralizados, de base agroecológica, de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos”. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7272.htm0

Anos depois foi editado o Decreto nº 7.794 de 20 de agosto de 2012, que institui a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/decreto/d7794.htm) , que define entre seus objetivos: “a promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional e do direito humano à alimentação adequada e saudável, por meio da oferta de produtos orgânicos e de base agroecológica isentos de contaminantes que ponham em risco a saúde”. A proposta deste decreto foi apoiada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, confirmando a interralação entre agrocologia e SAN.

Embora sob a hegemonia do agronegócio com a produção de commodities em monocultivos especialmente soja e milho, e carne para exportação, tivemos no Brasil, no período 2003 a 2016 antes da ruptura democrática com o golpe parlamentar e midiático, e em meio às contradições desse modelo agrícola dominante, iniciativas de programas e políticas que reconhecem o papel da agricultura tradicional, familiar e camponesa como produtoras de alimentos.

Programas como acesso à água para consumo humano e produção de alimentos no bioma da Caatinga; programas de compras públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos ( PAA) e a mudança na lei do Programa Nacional de Alimentação Escolar com a determinação de compra de pelo menos 30 % dos alimentos da agricultura familiar, povos e comunidades tracioanais, são bons exemplos. Essas iniciativas favoreceram a diversificação da produção, princípio da agroecologia, e garantiram a compra pelo estado. Outra iniciativa foi um programa apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolviemento Econômico e Social (BNDES), chamado

Ecoforte, que integra o Plano Nacional de Agroecologia, , e tem favorecido organizações da sociedade civil, mediante editais de Chamadas Públicas para atuação em redes de promoção da agroecologia. Embora também com mudanças na lei de sementes e cultivares favorecendo a privatização, tivemos programa de sementes que favoreceram o reconhecimento de sementes nativas, especialemente no semiárido, onde há centenas de casas de guardiões de sementes. Mas não conseguimos no Brasil, nesse período, a efetivação de um Programa de Redução de Agroóxicos e Transgênicos. O país continua liderando o consumo com grandes impactos na saúde humana e ambiental com evidencias demonstradas por instituições de pesquisa em saúde como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

As recentes medidas de austeridade tem impactado esses programas e representam um retrocesso em relação às conquistas.

• Que atores deverão ser envolvidos na criação e de políticas públicas de acesso, controle, proteção e conservação dos recursos naturais (floresta, água, sementes, terra) nos países-membro da CPLP?

É fundamental envolver os próprios camponeses e camponesas com suas organizações locais, detentores de saberes que se transmitem oralmente que são aplicados em complexos sistemas agrícolas e que se regem pelos direitos consuetudinários sobre a relação com a natureza, e que estão na origem da Agroecologia, conforme atestam vários estudos e mais recentemente o relator para o DHAA da ONU, Sr. Olivier de Shutter. É preciso também identificar nos vários países os núcleos de pesquisadores e extensionistas nas universidades e instituições de pesquisa que estudam e trabalham com os camponeses e camponesas, bem como as organizações não governamentais (ongs).

• Em que medida iniciativas da sociedade civil já em curso nos países-membros da REDSAN-CPLP poderão subsidiar um processo de construção de capacidades sobre práticas de produção sustentáveis e agroecologia?

No Brasil, a Agroecologia, que na nossa concepção é ciencia, movimento social e conjunto de práticas, teve início sobretudo com ações na sociedade civil e alguns núcleos nas organizações de pesquisa e ensino. Na década de 1980, acolhido pela Ong FASE Solicariedade e Educação, nasceu o projeo da Rede de Projetos em Tecnologias Alternativas (Rede PTA), que reuniu organizações de 11 estados brasileiros.

Posteriormente, nos idos dos anos 2000, a convergencia entre a Rede PTA e a iniciativa de profissionais dispersos e institucionalmente isolados em universidades que realizaram um Encontro Nacional de Pesquisa em Agropecuária, e de um Forum Nacional pela Reforma Agrária, resultou em 2001 na realização do I Encontro Nacional de Agroecologia ( ENA). Deste encontro nasceu a proposta da criação de uma Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), em 2002. Desde então já se realizaram 3 encontros nacionais e estamos preparando para o período 31 de maio a 3 de junho de 2018, o IV Encontro Nacional de Agroecologia. São centenas de organizações que integram a ANA e milhares de experiencias da agricultura familiar e camponesa e dos povos e comunidades tradicionais.

• Em que espaços político-institucionais multi-atores poderiam tais políticas públicas de promoção da agroecologia ser discutidas e negociadas?

Um dos espaços importantes são os conselhos e comissões, que se regem pelo princípio da participação social. O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), com caráter consultivo e ligado à Presidencia da República, tem a a particularidade da composição de dois tserços da sociedade civil e um terço do governo, e presidencia da sociedade civil. Temos ainda a Comissão Nacional de Agroecologia e Conselho das Comunidades Tradicionais. Até 2015 tínhamos também o Conselho de Desenvolvimeto Rural Sustentável. Com o retrocesso da extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, esse conselho está inativo. As proposas de programas e políticas de SAN, foram debatidos no Consea, assim como esse Conselho se posicionou na defesa de uma Política Nacional de Agroecologia.

Também são importantes os espaçõs de diálogo de saberes entre a academia e instituições de pesquisa com as organizações sociais dos camponeses e camponesas. A exemplo disso, acabamos de realizar no Brasil o X Congresso de Agroecologia, juntamente com o VI Congresso Latino Americano de Agroecologia, coordenado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e a Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia (SOCLA), que contou com cerca de 4.000 participantes. No Brasil, a ABA reune profissionais de ensino, pesquisa e extenção e estudantes das mais diversas áreas e vem apoiando ações dedicadas à construção do conhecimento agroecológico. O Congresso realizou-se sob o lema: “Agroecologia na transformação dos sistemas agroalimentares na América Latina: memórias, saberes e caminhos para o bem viver”.

Há hoje, no Brasil, centenas de Núcleos de Agroecologia nas Universidades e Institutos de ensino públicos, que tem sido espaço de estudos, projetos de extenção, sensibilizando os estudante para se engajarem na promoção da agroecologia. O órgão público de pesquisa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), espelhando as contradições do modelo dominante de agricultura, mantém, embora ainda poucos, alguns núcleos de pesquisa dessenvolvendo metodologias participativas. Um exemplo é a Estação Experimental Cascata (EEC), localizada na Unidade Embrapa Clima Temperado no Sul do país, que desenvolve projetos que buscam a sustentabilidade da agricultura de base familiar com ações de pesquisa focadas em sistemas agroecológicos e de transição agroambiental. Em outras regiões há também iniciativas de recuperação de sementes nativas junto aos povos indígenas.

O Congresso da Agroecologia a que me referi acima, apresentou uma moção para que a Embrapa afirme o seu compromisso com a agroccologia e reative no seu interior o Forum de Agroecologia e retome o Marco Referencial de Agroecologia que foi divulgado há alguns anos.
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*** Algumas questões para refletirmos... ***

Mensagem  Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:07

Olá Companheiros(as), bom dia!

Gostaria de provocá-los a responderem algumas questões:

---> Quais devem ser as ações prioritárias para construção do Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?

---> Em uma possível ação de formação intensiva em Agroecologia, objetivando capacitar Agentes Multiplicadores para cada estado-membro da REDSAN-CPLP, quais as temáticas-chaves que devemos abordar? Quais os atores devem ser capacitados prioritariamente?

---> Como estimular a participação dos agricultores familiares neste processo criação de um Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?

---> Qual a importância de construirmos um Banco de Sementes Tradicionais dentro do Centro de Competências para a Agricultura Familiar Sustentável da REDSAN-CPLP?


Saudações Agroecológicas! Paz e Luz!



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Última edição por Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:13, editado 1 vez(es)
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Por Iris Dias

Mensagem  Klebernilson Lima em Qui 14 Set 2017 - 15:31

Olá, Kleber. Tudo bem?
Tentei responder no Fórum, mas meso indo na opção de inserir link para cada endereço, não consegui postar esta mensagem. Agradeço se puder auxiliar.
Um abraço,

Muito grata pelas boas-vindas,

A Novo Encanto está integrada em duas Redes que têm debatido e promovido ações de educação integral:
Rede Juntos pela Educação Integral
[url=https://www.facebook.com/aredejuntos/]https://www.facebook.com/aredejuntos/[/url]
e a Rede Educação Século XXI
[url=http://www.redeeducacaoxxi.pt/]http://www.redeeducacaoxxi.pt/[/url]
A Rede Educação Século XXI segue de perto o movimento das inovações educativas em Portugal e a Rede Juntos pela Educação Integral tem um histórico de atuação no Nordeste do Brasil.

Atualmente, a Novo Encanto tem uma parceria com a Escola da Várzea de Sintra. Esta Escola  tem buscado fazer a transição para um modelo pedagógico semelhante ao da Escola da Ponte que, por sua vez, inspirou o[url=https://www.projetoancora.org.br/]https://www.projetoancora.org.br/[/url]l

A nossa parceria incide no desenvolvimento de um Ecomuseu. A Nádia pode explicar melhor essa proposta. Ainda estamos em uma fase inicial desse processo que, por ser uma construção comunitária, tem um ritmo próprio.  
Temos uma programação nas Jornadas Europeias do Patrimônio para os dias 22, 23 e 24 de Setembro. [url=https://www.facebook.com/events/513234389008950/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22feed_story_type%22%3A%22117%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D]https://www.facebook.com/events/513234389008950/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22feed_story_type%22%3A%22117%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D[/url]

Continuação de um bom debate,


Última edição por Klebernilson Lima em Seg 25 Set 2017 - 12:07, editado 1 vez(es)
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Re: ************ ESPAÇO PARA DEBATE ************

Mensagem  Klebernilson Lima em Qua 13 Set 2017 - 11:49

Olá companheiras Iris Dias e Nádia Helena;

Antes de mais nada, bem vindas ao debate e obrigado pela vossa participação.

A Educação é um elemento chave para o desenvolvimento eco-sócio-cultural do indivíduo.

Poderiam compartilhar conosco um pouco mais sobre as ações do Novo Encanto Portugal (NEP) em relação a promoção e operacionalização da educação integral?
Como tem sido construída a metodologia didático-pedagógica para o implementação da Agroecologia? Nos países representados pelo NEP, existem políticas públicas diretamente ligadas a educação integral que possam subsidiar esse processo de construção da Agroecologia? Se sim, quais são? Se não, quais as vossas sugestões para o desenvolvimento delas?

Obrigado! Saudações agroecológicas! Paz e Luz!

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Apresentação da Novo Encanto Portugal

Mensagem  Iris Dias em Ter 12 Set 2017 - 20:42

Prezados,
Minha colega Nádia Helena e eu somos integrantes da Novo Encanto Portugal (NEP), uma associação comunitária de caráter sócio ambiental, constituída por membros portugueses, brasileiros e africanos. A nossa contribuição para este debate está ligada à promoção da educação integral, uma das áreas de atuação da NEP.
Assim, a nossa proposta vai ao encontro da construção de comunidades de aprendizagem que vão além do ambiente escolar. Neste contexto, o tema da agroecologia pode ser explorado a partir da relação das escolas com suas comunidades de entorno, e além, para a formação de um espaço educativo de valorização do património cultural e ambiental.
Desejamos a todos um ótimo debate.

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************ ESPAÇO PARA DEBATE ************

Mensagem  Admin em Sex 8 Set 2017 - 17:58

Este é o espaço para que posamos debater sobre as questões aqui postas.

Para fazer perguntas e responder a qualquer item, deve-se utilizar a opção "RESPONDER"


Última edição por Admin em Seg 25 Set 2017 - 12:35, editado 1 vez(es)
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Re: ************ ESPAÇO PARA DEBATE ************

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